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Grandes Entrevistas: a competência e gestão oriental de Rafael Suzuki

 

Rafael Suzuki é um piloto vencedor. Rápido e constante, ele se destacou em todos os campeonatos pelas quais competiu. Sem nenhuma exceção. Campeão no kart, Suzuki venceu corridas até mesmo na Fórmula 3, categoria que melhor prepara os pilotos para um futuro brilhante no automobilismo.

O entrevistado especial do Portal KartOnline, Suzuki tem em seu histórico a conquista da Seletiva Petrobras de Kart 2007, Campeão Sul-Brasileiro de Kart, Campeão Copa Mercosul e Tri Campeonato Paulista da Granja Viana. Como competidor ele é reconhecidamente rápido e arrojado, fora do cockpit Rafael é um piloto igualmente focado no ganho de performance e na melhora do trabalho da equipe. “Às vezes, é mais fácil ganhar três décimos de segundo com um bom acerto de carro do que simplesmente com uma pilotagem agressiva”, costuma dizer o brasileiro.

Conheça mais sobre este brilhante brasileiro, que defende as cores do Brasil, agora em 2010 na F-3 Japonesa, na equipe Petronas Team Tom's.

KartOnline: Como e quando começou a se interessar pelo automobilismo?
Rafael Suzuki: Comecei em 1998 no Campeonato da Granja Viana, na época Copa Birel de Kart. Corri a segunda metade do ano na categoria ZF júnior. Gostei desde a primeira vez que andei de kart mas me interessei de verdade quando ganhei 5 das 6 corridas que corri naquele ano. A sensação de ganhar uma corrida foi o que realmente me fez gostar de automobilismo.

KO: Como iniciou no automobilismo, conte como tudo começou.
RS: Sempre tive carros e um volante como brinquedos prediletos, até o dia que meu pai resolveu me levar em um indoor, daí o kart passou a ser o brinquedo predileto. Meu pai sempre gostou de automobilismo também, mas tentou fazer com que eu jogasse beisebol primeiro porque na época ele jogava. Mas beisebol é muito parado, pouca adrenalina, não era pra mim, eu queria competir de verdade!

KO: Comente sobre sua trajetória profissional, destacando títulos e vitórias.
RS: Minha grande base foi o kart, eu corri praticamente 10 anos de kart em campeonatos paulista, brasileiro, pan-americano, europeu, mundial, etc. Ganhei muitas corridas, fiz um grande número de poles, mas sempre batia na trave na hora de vencer campeonatos importantes. A experiência no kart europeu também foi muito positiva, tive algumas oportunidades de competir diretamente com caras como Foré, Cesetti e Kozlinski. No Brasil, o título mais importante, até pelo momento em que veio, foi da Seletiva Petrobras em 2007 pois com o prêmio ingressei nos monopostos. Curiosamente uma vitória marcante foi quando me classifiquei para a final desse mesmo ano na ultima tentativa em Tarumã. Eu estava em 4 (só classificariam os 2 primeiros) a poucas voltas do fim quando eu fui para o tudo ou nada e consegui ganhar a corrida passando os 2 primeiros na ultima volta. Acho que ganhei a seletiva ali. Essa corrida mudou o rumo da minha carreira.

KO: Qual a sua meta no automobilismo? Daqui para frente aonde quer chegar?
RS: A meta é Formula 1. Mas infelizmente não é como nos outros esportes, ser um dos melhores pilotos talvez não seja o suficiente hoje em dia, então eu tenho os pés no chão que caso eu não tenha chances lá quero ser um profissional em outra categoria TOP. Me tornar um dos melhores aqui no Japão, onde corro hoje, é meu objetivo de imediato.

KO: Quais as principais dificuldades e desafios que um piloto enfrenta em sua profissão?
RS: O automobilismo é um esporte algumas vezes ingrato, porque na maioria das vezes você depende de terceiros para subir na carreira e atingir objetivos. Não adianta ter os melhores resultados, o piloto precisa que alguém o leve para o próximo passo. Outras situações como quando o carro quebra, pneu fura, retardatário te atrapalha, etc. São situações frustrantes porque você sabe que fez seu melhor, então o maior desafio na carreira de um piloto é sem dúvida superar tudo isso.

KO: Quais são os seus Ídolos no automobilismo, quem serve de inspiração para você ? Comente por aqui.
RS: Não tenho um ídolo, mas costumo observar o que alguns pilotos possuem de pontos fortes para melhorar.

KO: Com muitos títulos conquistados e uma grande experiência acumulada, passando por categorias de base e atualmente competindo na FORMULA 3 JAPONESA, qual a sua maior decepção no automobilismo?
RS: A minha maior decepção no automobilismo é quando dinheiro e política falam mais alto. Claro, todo esporte tem, mas algumas vezes o automobilismo é afetado de certa forma que as pessoas esquecem da palavra "esporte" e de que o piloto é um "atleta". Isso, quando acontece, é decepcionante.

KO: Se tivesse que escolher um grande momento dentro de sua trajetória profissional, qual seria? E o pior momento?
RS: Tive muitos bons momentos, mas não vou escolher uma vitória em si, meu melhor momento foi a fase do kart com as pessoas que trabalhei. Me divertia muito e principalmente aprendi muito com essas pessoas. Entre elas o Sabiá, um cara que me ensinou a perder e a ganhar com respeito e me fez ver o automobilismo como um esporte coletivo. Ter competido pela equipe toda, incluindo o Rafael(RBC) e o "Seo" Mario (Kart Mini), foi uma honra e um grande momento da minha carreira.

O pior foi quando perdi o Pan-americano de 2006. Havia vencido 3 eliminatórias, a pré-final e estava liderando a final da Sudam a duas voltas do fim quando me enrosquei com um retardatário e acabei saindo da pista. Na hora era difícil assimilar, eu só assimilei quando olhei para toda a equipe, ali eu vi que não era só eu que tinha perdido. Mas teve um lado positivo disso tudo, talvez se eu não tivesse sofrido o baque naquela hora talvez eu não estivesse onde estou. Podia ter me achado o "bom", e no kart é muito fácil você cair na armadilha do "ego massageado".

KO: Como você avalia hoje o automobilismo no Brasil? Quais são, na sua opinião, as categorias com mais estrutura? Para um piloto que está iniciando no automobilismo, quais as categorias importantes para consolidar uma carreira profissional?
RS: Eu tenho acompanhado de longe nos últimos anos, pois em 2008 e 2009 corri no Europa e esse ano estou no Japão. Agora com a nova gestão espero que as coisas continuem crescendo como o kart, as categorias de base e outras como a Stock Car, Truck, GT3, etc. O que falta na minha opinião é oportunidade e incentivo para os pilotos mais novos. E novos eu não digo apenas os de 15, 16 anos!

Sobre quem está iniciando no automobilismo é difícil dizer qual categoria, depende de muitas outras coisas, mas uma coisa eu altamente recomendo para quem corre de kart e quer ingressar no automobilismo um dia: viva o kart primeiro!!

KO: Como você se vê daqui a  10 anos, ou seja, onde e como você quer estar na profissão, qual o seu projeto profissional?
RS: Eu me vejo ganhando corridas num nível alto, é esse o meu objetivo profissional.

KO: Qual sonho ainda não realizado na sua carreira?

RS: Retribuir todas as pessoas que acreditam e já acreditaram na minha carreira. Sei exatamente quem são elas.

KO: No kartismo você é apontado por muitos pilotos, preparadores como um kartista de alto nível técnico. Qual a preparação necessária que você faz para manter este título?
RS: Não tem uma formula. Eu simplesmente acredito que o trabalho duro e o comprometimento do piloto, unido às pessoas certas ao seu lado, faz com que você queira estar no nível técnico mais alto possível. Eu não sei a que nível técnico exatamente eu estava no kart, mas eu procurava estudar cada mínimo detalhe porque são elas que faziam grande diferença no final.
 
KO: Com as mudanças propostas pela CBA e CNK para o kartismo nacional em 2010 (motores refrigerados a água), você acredita que realmente conseguiremos reduzir custos e trabalhar novas inovações tecnológicas?
RS: Não, não é só isso que vai reduzir custos. Ainda há valores exorbitantes em todos os fundamentos. Claro que o kartismo nunca será um esporte barato mas é preciso controlar custos ainda mais. Na minha opinião o kart estará com o custo controlado a partir do momento que o piloto com muito dinheiro não tenha vantagem sobre o que não tem o orçamento grande, e esse dia ainda não chegou.

 

KO: Na sua época, como competidor de kart, você foi apoiado como piloto oficial de equipe? Se sim, existe alguma ajuda de custo por parte da empresa? Como ocorrem os teste de chassi e motores o que é avaliado? você segue algum script de teste?
RS: Sim, durante alguns anos eu fui piloto da Kart Mini. Claro que existe profissionalismo para alguns, é normal na categoria Graduados pois é a grande vitrine do mercado. Os testes na minha época eram feitos alguns com a equipe própria da Mini na pista e outros com a própria equipe que eu corria, a Sabiá Racing. Algumas vezes também testávamos motores em BH com a RBC. Não tinha script, era o momento, podia ser um teste de performance como um teste de durabilidade.

KO: Você realiza algum trabalho social? Comente suas iniciativas.
RS: Gostaria de realizar mas no momento não estou em posição para fazer algum trabalho significativo. Espero que em breve eu possa.

KO: Deixe alguma dica de preparação e setup para os novos kartistas e público do KartOnline.
RS: Concentre-se nos mínimos detalhes, naquela peça do kart que você acha que não tem utilidade nenhuma. Talvez não tenha mesmo (risadas) mas procure saber pois é ali que o piloto acha os milésimos ou centésimos que pode fazer toda diferença!

Por Leandro Claro, editor-chefe do Portal KartOnline.
Fotos: Arquivo Pessoal


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